Since always.

These are hard times for dreamers!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Leve tom de Despedida

O Cartaz-Amarelo deseja a todos uma feliz virada de ano, afinal, como diz meu irmão, ano que vem é 10! (hahaha. não poderia deixar de compartilhar...)

Fica então um poema down e uma foto cool tirada após o natal.


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperar amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.


Passagem do ano - Drummond




















Point of view





Até os loucos tiram férias
Até os loucos vão ao cinema
Até os loucos amam
Até os loucos têm filhos
Até os loucos dançam loucamente
a seu próprio estilo
Até os loucos comemoram aniversários
Até os loucos escutam músicas
Até os loucos conhecem a matemática
e a física, química, geografia
Até os loucos têm uma história
Até os loucos choram de verdade
Até os loucos andam de mãos dadas
Até os loucos fazem carreira
Até os loucos são bonitos
Até os loucos sabem viver
Até os loucos podem viver
Até os loucos entendem o capitalismo
Até os loucos andam de metrô
Até os loucos empinam pipas
Até os loucos pintam, bordam, cozinham
Até os loucos sabem que são loucos
e podem fazer tudo isso



Até os loucos casam-se.



domingo, 27 de dezembro de 2009

Paralelo

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A gente tenta. Mas por mais que nada faça sentido, a gente tenta.
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Revelações

O que é o amor? É o sentimento de espera por algo que não te espera? Aquele que te renega até no ato de respirar? É aquele que te esconde em todos os momentos? Aquele que te prende em casulos? O amor te preenche? O amor te afoga? Te diz o que fazer? Te impede de fazer o que quer? O amor te mostra todos os caminhos? Ou te faz aceitar os que te pressupõem corretos? O amor te enlouquece ou te permite enlouquecer os outros? O amor revela os dias e as horas. O amor revela o quanto o amar alguém te traz sofrimento. Ele te mostra o quanto pode ser dolorido saber o quanto o outro não se importa consigo mesmo. E você ama porque isso te faz bem. Não há mais egoísmo no que o de amar a alguém e no saber que é amado. Não há mais amor no que o do vício de amar alguém. Não há mais amor do que o vício que te faz faz vivo. Não há mais amor do que entender o vício que te consome. Não há mais amor do que negar o vício que te consome pelo amor do outro. Não há mais amor por deixar o vício que te consome pela satisfação do próximo. Não existe amor sem sacrifícios. Não existem sacrifícios sem amor. Próprio ou não, sempre se ama quando se quer grandes mudanças. Não negamos sacrifícios. Não entendemos perdas e ganhos. Não há prós e contras. Se ama e pronto. Ou não. Quem dera fosse tudo mais simples e menos complicado.
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A gente sempre sabe que todo mundo sabe de tudo, mesmo sem querer saber. O problema é ouvir. O problema está sempre em ouvir confirmações antes apenas supostas.
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belo final de ano
não se fecham expectativas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009




-Eu só não quero ser simpática, entende? É, ser simpática, abrir sorrisos por aí. Ser feliz por aí. Mostrar pra todo mundo que está sempre tudo bem só porque não aconteceu nada de mal. Eu só queria que entendessem que não é por mal, não é (sempre) de propósito. Eu não quero falar sobre o meu final-de-semana e nem contar nenhuma história se eu estou cansada, com sono, de saco cheio de ter que ver todo mundo todo santo dia. every fucking day. Eu só quero sentar aqui nesse canto e me concentrar nas minhas coisas, por mais desinteressantes que elas sejam, por mais estranho que isso seja, por mais egoísta que possa parecer.
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eu definitivamente não quero rir hoje.
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sorry.

Aqui

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É uma casa de encontros, em que eu encontro teu ponto de partida, de chegada, de vida. Só abrir a porta.
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Nem é tão simples assim,
mas a gente vai fingindo que é, vai dizendo pra si mesmo que poderia ser pior, que hoje em dia se quiser algo é preciso batalhar, o que significa correr atrás, fazer tudo certinho. não, não se pode cogitar um passo em falso, um único deslize e pronto. As portas se fecham ou pelo menos não ficam sempre abertas. Aí volta-se ao ponto de olho-mágico, de ver quem chega, se pode entrar. Corre-se o risco de cair em tentação e fingir que não está em casa ou de falar que dormiu no ponto e que as portas estavam todas fechadas, como costumam estar naqueles dias de frio, de fúria, de depressão sem motivo aparente, de total indiferença. Mas, dessa vez, as portas não fazem tanta diferença assim. Acho que poderíamos nos trancar dentro dessa casa e lançar mão do resto. Essa coisa de porta se assemelha muito ao que nos dizem naturalidade. Nossos encontros poderiam ser muito menos formais, o que não quer dizer que precisariam deixar de ser esperados, obviamente, mas poderiamperder essa coisa de sempre impressionar, sempre sempreter que ser perfeito. Voltam-se aos pontos, voltam-se às portas, volta-se à vida e aos encontros. Inevitável como a naturalidade pode superar o caos da formalidade. Inevitável como o que nos torna comum, nos parece sempre bonito, porém incansavelmente igual. Maximiza expectativas, sem desprezar pequenas surpresas, aceita-se melhor os deslizes, o que o outro é, quando se deixa as portas abertas.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

1

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Essa noite a lua é todinha nossa e eu não vou desgrudar o olho dela...
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2

Enclaves de enterro. São como espelhos de outrora. Me invadem os dias como foram e nunca mais serão. Os dias que me passam cobrando lembranças e demais andanças. Entrego meus passos a todos os cigarros que eu não fumei, a todas as palavras que deixei de escrever, a todos os sons que esqueci ou me privei de emitir. Os dizeres e não-dizeres são mais que enterros. São esquecimentos enterrados que sempre tornam a voltar um dia. Sequer podemos nos despedir daquilo que já nos pressupõe despedidas. Mas insistimos a sempre nos despedir. E adeus.

3

Eu não quero ensaios públicos, privados, coletivos.
Não quero mãos engorduradas sujando as capas, os lençóis, as escrivaninhas.
Nem desejos maiores dos que os meus dedos e pensares.
Não quero a vida escorrendo em milagres e ardores.
Não desejo desejos maiores dos que os meus próprios.
Quero desfechos finais que me mostrem o mais puro começo de todos os dias.
E só.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

We were sparkling

achando por aí :)




e eu dividi com você
cada pedacinho
de modo egoísta e conservador
a meus modos
esperando muito em troca
imaginando tanto
à nossa volta
.
esperando os milagres
de laços escassos
de véus e amores
esperando com os olhos
manifestações
.
.
pra me agarrar depois
a esquecimentos
de lembranças de outrora

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disse minha mãe que ouviu no disse-que-disse por aí que quem escreve quer ser lido. Confirmo.
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